Astrologia Védica x Tropical: qual a diferença e por que o seu signo muda

Você gerou o seu mapa védico e levou um susto: “Como assim? Eu tenho o Sol em Áries na astrologia tropical, e no mapa védico ele está em Peixes. Não tem nada a ver comigo!” Se isso aconteceu com você, este texto é para você.
A astrologia tropical é a mais comum, a que você vê por aí aqui no Ocidente. A astrologia védica é a astrologia utilizada na Índia, que vem da cosmovisão hindu. Vou te explicar qual é a principal diferença entre elas, sem complicar.
A grande diferença está no cálculo
A grande mudança entre uma astrologia e outra são os cálculos, a forma de calcular onde cada planeta está.
A astrologia tropical faz o cálculo pelos equinócios. Ela entende que, todo ano, quando chega o equinócio de março (por volta do dia 20 ou 21), o Sol entra em Áries e começa o ano novo astrológico. É assim que ela funciona.
Só que, no céu, nada disso é exato. Não tem como o Sol entrar a 0° de Áries todo ano no mesmo dia, porque o céu se move. Existe um evento chamado precessão dos equinócios, que faz com que, ao longo dos anos, aconteça uma defasagem em graus. Há muitos e muitos anos, no dia 21 de março, o Sol realmente entrava a 0° de Áries. Hoje, esses graus já foram defasados, e o calendário não acompanha essa mudança.
Por isso, se você olhar o céu no dia 21 de março, em qualquer aplicativo de astronomia ou com um telescópio, o Sol não está em Áries: ele ainda está brilhando na constelação de Peixes.
A astrologia védica mostra onde o planeta realmente está
A astrologia védica usa um cálculo sideral, astronômico: o cálculo exato da constelação em que o planeta está brilhando. Por isso, a astrologia védica é astronomicamente correta: ela demonstra o real posicionamento do astro no céu.
Hoje, essa defasagem é de cerca de 24°, e ela vai se atualizando com o tempo. Na prática, funciona assim:
- Se você tem o Sol a 15° de Áries no mapa tropical, diminua 24°: o seu Sol vai para Peixes, que é onde ele realmente estava brilhando na hora em que você nasceu;
- Se você tem o Sol a 29° de Áries, diminuindo 24° ele provavelmente continua em Áries, só que bem no comecinho do signo.
É uma questão matemática, de cálculo. E não é tão importante que você entenda a matemática: o importante é entender que é uma outra abordagem, uma outra forma de ver a si mesmo.
Beber das fontes primordiais da astrologia
Quando a gente olha para a astrologia védica, também está olhando para uma cultura diferente da ocidental, e foi uma cultura que ajudou no grande nascimento da astrologia. Lá atrás, nos Vedas, as escrituras antigas hinduístas, estavam grandes astrônomos da época, que estudavam o céu de forma muito séria, ao lado de outros povos como os árabes e os egípcios.
Quando essa astrologia chega ao Ocidente, ela vai para um lugar de mais entretenimento, muito voltado ao psicológico e à descrição de personalidade, e a gente acaba perdendo o “molho”, que é a astrologia das fontes de onde ela nasceu.
Beber da astrologia védica é beber das fontes primordiais da astrologia. Não é que ela seja melhor, mas é uma outra abordagem, uma outra percepção de si mesmo. Por isso eu digo que vale a pena dar uma chance a ela e a toda a cosmovisão que ela traz.
O que a astrologia védica traz a mais
- Os nakshatras: são signos lunares próprios da astrologia védica, que trazem muita especificidade. Sabe aquelas coisas do mapa que fazem você pensar “caraca, você está falando sobre mim”? Os nakshatras trazem isso.
- Os remédios astrológicos: nascem da astrologia védica. São formas de amenizar as dificuldades de um planeta na nossa vida ou de potencializar a energia de um planeta que a gente quer fazer crescer, e de nos conectar melhor com cada posicionamento.
- As deidades hinduístas: que também podem nos auxiliar, por exemplo com pujas e oferendas, quando a gente busca abençoar e harmonizar uma dificuldade do nosso mapa natal.
A astrologia védica traz um mundo de práticas que permitem resultados profundos, saindo da visão de mera descrição de personalidade. Dá para ser profundo na astrologia tropical, claro, mas não é o que a gente costuma ver no dia a dia, e sim uma astrologia muito “memificada” na internet: “se você tem Sol em Áries, você é agressivo; se tem Sol em Touro, só pensa em dinheiro”. A proposta da astrologia védica é ir mais fundo.
“Mas eu sou totalmente ariana!”
Vou usar o meu próprio mapa como exemplo, para você ver que é só uma mudança de percepção.
Pela astrologia tropical, eu sou ariana. Pela astrologia védica, eu sou pisciana. E, de fato, eu sou muito líder: lidero a minha vida profissional desde que comecei a trabalhar, tive pouquíssimos empregos de carteira assinada e empreendo até hoje nos meus próprios projetos.
Então onde entra o Sol em Peixes? O meu Sol mudou para Peixes, mas a minha Vênus, que na tropical estava em Touro junto com Saturno (que também fala de trabalho), vai para Áries no mapa védico. E Vênus é muito importante para mim, porque é a regente do meu ascendente. Então eu continuo tendo, no meu trabalho, a habilidade de ir para a frente, de ser mais líder, por causa de Vênus e Saturno em Áries.
E o Sol em Peixes? Peixes é o signo da espiritualidade, o signo que mais fala de inconsciente, sonhos, espiritualidade e do outro lado. E é exatamente o que eu faço: é onde eu brilho quando falo sobre o sagrado.
Linguagens diferentes, a mesma essência
Entenda as astrologias (védica, tropical, medieval, árabe…) como idiomas diferentes. No final, estamos falando da mesma coisa em línguas diferentes. Não é que uma está certa e a outra errada: às vezes a gente tem uma linguagem que gosta mais de falar.
No meu caso, e aqui na Gitana Alma, a gente ama falar de astrologia védica, uma linguagem que traz muita inspiração e discernimento sobre o que a gente veio fazer aqui: de onde eu vim, onde eu estou e para onde eu vou.
Assista ao vídeo

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